ABTLP prioriza modernização da entidade e debate da legislação

[caption id="attachment_42588" align="aligncenter" width="279"] Em entrevista, o presidente da entidade, José Maria Gomes, contou um pouco sobre sua trajetória no setor, destacou o trabalho da associação durante a pandemia e expectativas para o futuro. (Foto: divulgação)[/caption]

ABTLP prioriza modernização da entidade e debate da legislação

Segundo o presidente da Associação, é preciso tornar as normas mais brandas e desburocratizar demandas junto aos órgãos federais

Criada em 1998, a Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP) atua para garantir os direitos e defender os interesses dos transportadores e operadores logísticos. Em entrevista a redação do Chico da Boleia, o presidente da entidade, José Maria Gomes, contou um pouco sobre sua trajetória no setor, destacou o trabalho da associação durante a pandemia e expectativas para o futuro:

- Minha ligação com produtos perigosos vem desde 1988. Antes militava na área de transporte internacional e migrei para este setor, no qual atuo até hoje. O meu vínculo com entidade de classe começou com a NTC, na comissão de produtos perigosos e, depois, houve a criação de uma entidade independente, devido a conflitos entre as empresas. Nascendo assim a ABTLP, de um desejo das companhias de transportes de combustíveis coligadas as distribuidoras de petróleo – revela Gomes.

Na época de sua criação, devido a uma série de mudanças políticas, a Associação precisou ser reformulada, e muitos dos coligados a indústria do petróleo perderam o interesse na entidade, abrindo espaço para um grupo de empresários do setor químico, dando continuidade ao trabalho da instituição.

Como presidente da ABTLP, José Maria trabalhou para manter o legado de Paulo de Tarso (um dos primeiros representantes da entidade), devido aos vínculos e participação intensa em todos os foros do setor, estabelecidos pelo antigo presidente da Associação. “Além disso, nós precisávamos fazer uma reestruturação da entidade e, também, desde a gestão do Tarso, havia o desejo de tornar a ABTLP um membro associado da CNT, o que ocorreu em 2019, durante a minha gestão”, destaca

Atualmente, o foco é debater e trabalhar a legislação para tornar as normas mais brandas para o setor de transporte de produtos perigosos. Ainda há a demanda constante pela gestão e atualização das regras junto a órgãos federais, como IBAMA, visando reduzir a parte burocrática. Avançando também em sua competência técnica, modernizando o atendimento dos associados.

Atuação durante o isolamento social e impactos provocados pela Covid-19

Desde o início da pandemia, a ABTLP tem se engajado em ações sociais, principalmente para atender a demanda por insumos da área da saúde, para que os profissionais pudessem trabalhar. “Nós conhecíamos a iniciativa do Chico da Boleia, desde a primeira fase, quando houve o fechamento dos pontos de paradas, dos restaurantes e não havia kits de higiene para os trabalhadores. O Chico tem nossa admiração e respeito por ter atuado ao lado dos transportadores que estavam na estrada naquele momento crítico”, explica Gomes.

- Atuamos como empresa, num primeiro momento, pois considerávamos de extrema importância o trabalho desenvolvido pelo Chico. E, agora, a entidade está participando como consequência das ações de sucesso realizadas na primeira etapa da campanha. Tenho certeza que será um trabalho de grande repercussão, cujo resultado será muito importante para os profissionais do volante – ressalta o presidente.

Com a pandemia, segundo Gomes, o segmento também foi impactado, tanto a comercialização de combustíveis quanto a de produtos químicos (apesar da alta demanda por insumos, na época). “O que fizemos, junto com as empresas, foi montar um kit básico, com o mínimo de cuidados higiênicos para os motoristas terem uma proteção. Além disso, as empresas trabalharam incessantemente promovendo campanhas de conscientização interna, para todos os colaboradores”.

Apesar de uma melhora significativa para o setor neste momento de flexibilização, para José Maria, enquanto não houver uma vacina, não é possível relaxar as medidas de segurança e prevenção. “Temos que continuar com mesmos cuidados do início da pandemia, caso contrário, corremos o risco de expor os trabalhadores ao contágio da Covid-19”.

Reforma Tributária

- Não tenho me envolvido no tema, mas o que tenho ouvido é que há grandes chances de o setor de serviços ser mais onerado do que já é, independente das propostas que estão tramitando. Como ele tem um grande peso no PIB, dificilmente ficaremos imunes a um aumento na carga tributária. E não acho que a reforma andará com tanta facilidade, devido a todos os aspectos políticos envolvidos – conta o presidente da Associação.

Gomes ainda explica que o que está na pauta, em relação ao setor de transporte de carga, é a continuidade da desoneração da folha de pagamento. “O Governo já bateu o martelo dizendo que sai, desde que haja uma contrapartida, que evidente é uma tributação das transações financeiras”.

Queimadas e danos as estradas

As notícias diárias sobre as queimadas em todo país, além de trazer a preocupação com os impactos para o meio ambiente, também oferecer risco aos motoristas, visto que muitas estradas foram danificadas pelas chamas.

Para quem trabalha com o transporte de cargas perigosas, a preocupação é maior ainda. Questionado sobre as medidas de segurança tomadas para evitar danos e riscos a vida dos trabalhadores, José Maria explica que devido ao setor de atuação, o risco sempre existe, mas é feito um trabalho preventivo, constantemente, independente das circunstâncias.

- Se, por exemplo, temos que abastecer com combustível uma região na qual há focos de incêndio, as empresas devem ter determinados cuidados, pois se o produto for atingido, potencializa ainda mais as chamas. Com relação ao produto químico, a movimentação dele é feita em maior parte na costa brasileira, mas mesmo assim, quando é destinado a outras áreas, há sempre uma preocupação em ampliar as medidas de segurança – conta Gomes.

Expectativas para 2021

- A expectativa é que a vacina chegue logo, criando um ambiente mais seguro, pois enquanto não há imunização, vivemos ciclos dissolutos, como na Europa. Mas, aqui, além de todos os cuidados que devemos manter, eu tenho um certo otimismo em relação ao nosso setor, pois a demanda é constante, visto que são produtos essenciais para o mercado – destaca Gomes.

Por outro lado, há a preocupação com a redução de turnos de trabalho na indústria de implemento, devido a pandemia, sendo que estes custos acabam sendo repassados para as empresas do setor. O que impacta diretamente no dia a dia e nos recursos disponíveis das transportadoras. “Mas estou otimista e iremos trabalhar com os recursos disponíveis, recuperando os prejuízos provocados pelo período de maior isolamento social”, conclui José Maria.

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